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Chuvas e raios – O que acontece quando atingem uma aeronave?

(Foto: PxHere)(Foto: PxHere)

Todos os dias, cerca de 50 aeronaves são atingidas por raios enquanto estão operando. Os passageiros podem até ouvir o trovão e ver o relâmpago, além de terem conhecimento sobre a chuva torrencial no exterior da cabine, mas as aeronaves estão totalmente preparadas para que tudo isso aconteça.

| O que acontece quando um avião é atingido por um raio?

Aeronaves acabam funcionando como um para-raios; o relâmpago frequentemente atinge as extremidades, como a ponta da asa, o cockpit ou a cauda, então viaja pela fuselagem, para enfim deixar a aeronave por outro ponto, em direção ao solo. Durante uma tempestade, partículas negativas e positivas participam de uma espécie de dança de guerra, por isso, quando uma aeronave voa no meio delas, acabam agindo como um para-raios devido ao atrito.

| O que os passageiros percebem no interior da aeronave? E o piloto?

Os passageiros não percebem muita coisa no interior da cabine. É possível ouvir um estrondo, às vezes bem alto. Já os pilotos, contam com uma visibilidade melhor e conseguem vê-los. Em seguida, é necessário tomar algumas providências para garantir a segurança de todos e a integridade da aeronave, por isso eles notificam imediatamente as torres de controle, assim as tripulações de voos próximos também são informadas e a aeronave pode ser examinada quando estiver em terra.

| O que é a Gaiola de Faraday?

Este experimento que muitos aprendem na aula de física no ensino médio é o que explica o motivo pelo qual o interior da cabine de um avião é totalmente seguro, quando atingida por um raio. As aeronaves contam com uma fuselagem de metal, criando um campo elétrico estático, e conduzem a eletricidade da mesma maneira que uma Gaiola de Faraday. É por isso que elas são uma parte do caminho do raio para o chão. Aeronaves de projetos mais antigos, como os Boeing 747 e 777, são feitas de alumínio. Já os modelos mais novos, como os Boeing 787 Dreamliner, Embraer e Airbus 350, são feitos de materiais compostos mais leves, como o plástico, mas possuem uma camada feita de malha de cobre ultrafina ou tinta de alumínio especial para conduzir a eletricidade.

| É tudo muito rápido

Ainda que os raios sejam quase que imperceptíveis para os passageiros, em geral, eles significam muito trabalho para o pessoal de terra. O protocolo exige que a aeronave passe por uma inspeção visual pelo departamento de manutenção antes da próxima partida. Um relâmpago pode fazer com que a tinta escorra e deixe marcas na borda traseira das asas e extremidades da cauda. O engenheiro de chão inspeciona tudo e procura os pontos na fuselagem onde o raio a atingiu e o ponto onde o raio deixou a aeronave, que pode ser tão pequeno quanto a ponta de um lápis.

| Drones para o resgate

Para encontrar o ponto onde o raio atingiu o avião, a equipe de solo precisa percorrer todos os 36 metros de fuselagem. São necessárias quatro horas no hangar para a detecção de qualquer dano à aeronave e, em 80% dos casos, a ela fica disponível para operação novamente após 20 horas. Para agilizar esse processo, a KLM está desenvolvendo novas formas, como por exemplo, a utilização de drones operados por óculos de realidade virtual, que podem economizar até 80% do tempo nas verificações. Outra inovação é o KLM Digital Studio, um aplicativo para iPad, que permite que os danos sejam visualizados mais rapidamente usando a Realidade Aumentada.

Manutenção de aeronaves (Foto: Divulgação)
Manutenção de aeronaves (Foto: Divulgação)

| Segurança acima de tudo

Para que os 200 mil amperes de um raio percorram a fuselagem de um avião sem causar nenhum dano grave, é que existem “wicks estáticos” (fios de metal finos atrás das asas), que garantem que a carga acumulada seja liberada durante o voo. Aeronaves têm todos os tipos de mecanismos para evitar que seus sistemas eletrônicos não sejam afetados por um raio. As situações são amplamente simuladas antes que um avião entre em operação, com raios na fuselagem e componentes internos.

| Raio induzido por aeronave

Aeronaves formam uma ponte entre as partículas positivas e negativa durante uma tempestade. Podem até geram seu próprio raio, particularmente no outono e no inverno, se o ar relativamente quente colidir com ar nebuloso, instável e frio e a aeronave voar por meio dele. Isto acontece, apesar de as Nuvens Cumulus em Torre (TCU) e Cumulonimbus (CB) normalmente não gerarem raios em ares frios (cerca de -10 °C). Assim, em 90% dos casos, as aeronaves criam os raios elas mesmas.

Abaixo, seguem fatos curiosos sobre raios e aeronaves:

  • A KLM Cityhopper, frota de aeronaves dedicada a voos de curta duração, na Europa, recebe cerca de 50 raios por ano. Com um total de 49 aviões, isso significa que, em média, cada um é atingido por um raio uma vez por ano.
  • Um raio pode chegar a temperatura de cerca de 30.000 °C.
  • Os relâmpagos ocorrem com maior frequência em altitudes entre 5 e 20.000 pés (1,5 e 6 km), geralmente durante a decolagem e o pouso.
  • A maioria dos raios ocorre quando há turbulência moderada ou intensa e em temperaturas próximas ao ponto de congelamento.
  • 90% dos impactos de raios são causados pela própria aeronave. Esse fenômeno é conhecido como Raio Induzido por Aeronave (AIL).

*Informações da Assessoria de Imprensa.

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