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O que você precisa saber antes de ir para Manaus

@flymaniacs@flymaniacs

Até quem enfim chegou o dia que conhecermos a tão desejada Amazônia! Sempre tivemos vontade de explorar mais da região Norte do Brasil, principalmente o estado do Amazonas, e tudo aquilo que a gente imaginava foi totalmente superado. E nos perguntamos porque não fizemos essa viagem antes.

A verdade é que a viagem para a Manaus vai muito além da capital do Amazonas. Nós conhecemos a cidade, mas também exploramos seu redor entre cachoeiras, rios e muita floresta. Um destino tão exótico até para nós brasileiros, sempre esteve na rota turística dos estrangeiros e finalmente está entrando nos planos do turista nacional. E mesmo assim é aquele lugar que não perde a sua essência e fica lotado de gente. É uma viagem de pura conexão (ou seria desconexão) em que fará você refletir sobre muitas coisas. Pelo menos foi assim com a gente.

Tour pela floresta Amazônica (Foto: Flymaniacs)
Tour pela floresta Amazônica (Foto: Flymaniacs)

Todo mundo deveria fazer essa viagem pelo menos uma vez na vida. Falamos “pelo menos” porque mesmo a gente já tendo ido, queremos voltar para fazer algumas coisas que tiveram que ficar fora do roteiro. Mas essa primeira vez já sentimos o gostinho do que a região tem a oferecer. Agora vamos ao que interessa, saiba tudo sobre Manaus e região.

| Quando ir

O clima em Manaus se divide em duas épocas: seca (inverno – junho a novembro) e chuvosa (verão – dezembro a maio). Em ambas temporadas você vai pegar muito calor, acredite! A temperatura média é de 27ºC, mas a umidade do local dá a sensação dos termômetros estarem muito acima disso. Durante a seca, chove menos e o nível do rio diminui e formam as praias fluviais. Já na chuva, o rio pode subir até 15 metros.

Caso você não curta esse calor absurdo, vale evitar o mês de setembro, tido como o terror até mesmo para os manauaras. Nesse mês, o termômetro passa dos 40ºC facilmente e a sensação térmica é ainda pior!

Musa – Museu da Amazônia (Foto: Flymaniacs)
Musa – Museu da Amazônia (Foto: Flymaniacs)

Além da questão do clima, é legal levar em conta as festas que ocorrem na região. Entre abril e maio costuma acontecer o Festival Amazonas de Ópera, que apresenta grandes artistas nacionais e internacionais. Já em outubro, tem a Festa do Boi, que é gratuita e você pode ver cantores e bandas de boi-bumbá.

| Chegando e saindo

Apesar de estar quase na ponta do país, na região Norte, não é tão difícil chegar na capital do Amazonas. A forma mais simples, é claro: avião! Existem muitas opções de voo direto saindo de São Paulo e Rio de Janeiro, que levam em torno de 4 horas. Tem também voos que fazem escala em Brasília, mas essa parada costuma ser bem rápida.

O aeroporto internacional serve para voos internos e também é ponto de conexão para o exterior, como Estados Unidos. Ele é bem pequeno e fica um pouco afastado do centro da cidade. A melhor forma de sair de lá é pegando um táxi, que costuma dar em torno de R$ 50 até o centro.

Tour pela floresta Amazônica (Foto: Flymaniacs)
Tour pela floresta Amazônica (Foto: Flymaniacs)

Por estar no meio da floresta, o acesso terrestre é um pouco cansativo vindo de outras cidades da região norte. As estradas são bem precárias e você pode demorar muito tempo. O mesmo serve para barcos. Você consegue chegar dessa forma, inclusive é o meio mais utilizado pelos locais, mas a viagem é longa e cansativa.

| Como se locomover

Essa questão depende muito de onde você está hospedado e quais passeios você vai fazer. Nós gostamos muito de ter a liberdade de ter um carro durante as viagens, além do mais, Manaus é bem grande e os trajetos podem ser bem longos (e caros) quando feitos de táxi ou uber. Como ficamos hospedados na região de Ponta Negra, mais afastada do centro, e incluímos no nosso roteiro um bate-volta até Presidente Figueiredo, o carro foi essencial.

Mas se você estiver mais na região central, dá pra fazer alguns passeios à pé e caminhar até as principais atrações que ficam por ali, mas lembre-se do calor da cidade. Uma simples caminhada pode ser eterna (rs).

Manaus tem transporte público, mas ele é bem criticado pelos próprios moradores. Então uma boa alternativa é usar uber e táxi.

| O que levar

Confesso que essa foi uma parte que fez a gente quebrar um pouco a cabeça. Primeiro que a mala para Manaus não precisa ser muito grande. Passamos 5 dias por lá e uma mala de mão foi mais do que suficiente. Mas como montar uma mala com roupa para rios, cachoeiras, cidade e floresta com trilha?

Roupas leves

Quando falamos que as temperaturas são altas, é porque elas realmente são. Por isso, ter roupas com tecidos leves é mais do que fundamental. Shorts, blusas e camisetas. Claro, não deixe de colocar roupas de banho, de preferência de cores mais escuras ou que você não tenha muito apego, pois muitas vezes a roupa fica manchada por conta da lama dos rios. Uma boa dica, principalmente para os que têm a pele mais sensível, é levar aquelas camisetas com proteção UV, pois dependendo do roteiro você pode passar muito tempo embaixo do sol. Leve apenas um casaquinho leve para usar durante a noite.

Musa – Museu da Amazônia (Foto: Flymaniacs)
Musa – Museu da Amazônia (Foto: Flymaniacs)

Caso você faça alguma trilha, como a gente que foi para a Floresta Amazônica, leve uma calça e um tênis bem confortável. Muita gente aconselha ir com blusa de manga longa por conta dos pernilongos, mas não é necessário caso você esteja com um bom repelente.

Calçados confortáveis

Na maioria dos dias usamos chinelo, mas vale levar um tênis para caminhadas mais longas e para os dias que você ficar na cidade.

Acessórios

Alguns itens indispensáveis: mochila para usar durante o dia; boné ou chapéu; óculos escuros; garrafinha de água; e, claro, protetor solar e repelente. Para esse último item, recomendamos o Exposis. Ele costuma ser um dos mais caros nas farmácias, mas foi o único que realmente segurou os mosquitos. Vimos pessoas passando Off, Repelex, e deu até dó quando saímos do tour pela floresta.

| Onde se hospedar

Ficamos hospedados na casa de amigos, então não temos como indicar o lugar que ficamos. Mas pode-se dizer que Manaus se divide em quatro regiões: Centro, Adrianópolis, Ponta Negra e o Distrito Industrial. A primeira é boa pela praticidade de estar próximo das principais atrações. Caso você curta o clima de interação de hostel, o mais conhecido é o Local Hostel, que fica bem localizado.

Adianópolis já é uma região mais nobre, que fica 5 km do centro. Ponta Negra, onde ficamos, é mais moderna, mas fica uns 30 minutos do centro. E o Distrito Industrial fica perto da zona Franca e não é tão interessante para turismo.

Tem também os hotéis de selva, que aí já não ficam propriamente em Manaus. Passamos dois dias no Juma Lake Inn, que fica no Rio Paraná do Mamori. Esse passeio fizemos com a Iguana Tour, uma das agências mais conhecidas da região.

| Onde comer

Quem gosta de provar coisas diferentes, vai se esbaldar em Manaus! As comidas típicas são sensacionais, afinal, um lugar que fica no meio da floresta com a maior biodiversidade do mundo tem também uma grande quantidade de frutas e peixes. Tem como não ser bom?

Para começar, aconselhamos você iniciar o dia em um café regional. Nós conhecemos o Priscila, que tem vários espalhados pela cidade. Lá você pode provar dos mais diferentes sucos, como Taperebá e Cupuaçu, e ainda comer tapioca de vários sabores. Aliás, a tapioca lá é bem grande, serve de 2 a 3 pessoas. Um café da manhã bem servido, com suco, tapioca, bolo e café vai sair em torno de uns R$ 50. Outro restaurante desse mesmo estilo, e também muito conhecido, é o Joelza.

Mercado Municipal Adolfo Lisboa (Foto: Flymaniacs)
Mercado Municipal Adolfo Lisboa (Foto: Flymaniacs)

Já as refeições, você pode aproveitar os peixes mais famosos, e mais saborosos na nossa opinião, que é o Tambaqui e o Pirarucu. Na maioria das vezes, os peixes vêm acompanhados de baião de dois, farofa, feijão e vinagrete. Para quem não curte muito peixe, vale investir na carne de sol, outra tradição de Manaus e uma das melhores que já comemos. Existem muitos restaurantes deliciosos, mas alguns que provamos e recomendamos são o Tambaqui de Banda, próximo ao Teatro Amazonas, e o flutuante Peixe Boi.

Falando em flutuantes, apesar de classificarmos eles como uma atração em Manaus, vale ressaltar aqui em restaurantes também. Eles são estabelecimentos à beira do rio, que muitas vezes se locomovem de acordo com o nível da água, e você pode chegar de barco ou atravessando pequenas pontes. Existem vários pela cidade e são bem frequentados pelos moradores e turistas.

| O que fazer

Manaus é grande e oferece muita coisa para quem quer passar 2, 3, 4, 5, 10 dias por lá. Com certeza você vai pra lá e não conhecerá tudo de uma vez. Separamos as principais atrações da região, que envolve cidades e tours fora do centro urbano.

Um ponto importante que achamos relevante destacar, existem alguns tours comuns em Manaus que não fizemos por não nos sentirmos confortáveis, como nadar e alimentar os botos. Acreditamos que isso de alguma forma causa um desequilíbrio ambiental (leia mais sobre esse tema). E outra é a visita a tribos indígenas. Muitos desses tours exploram os índios de uma maneira muito artificial e não achamos isso muito legal. Há jeitos diferentes de viver as experiências na selva. Por isso, caso você queira fazer esses passeios, aconselhamos fortemente que você procure uma empresa legal e não só um lugar bonito para tirar foto.

Passeio na selva

Tour pela floresta Amazônica (Foto: Flymaniacs)
Tour pela floresta Amazônica (Foto: Flymaniacs)

Essa é a primeira atração que queremos destacar porque foi a que mais amamos. Por conta da proximidade com a Floresta Amazônica, existem muitos passeios para você conhecer a real essência da floresta brasileira. Existem diversos roteiros, de 2 a 5 dias de duração, basta você ver qual se adapta ao seu tempo disponível. Nós fizemos a nossa viagem de dois dias com a Iguana Turismo, e super recomendamos!

Em via de regra, você pegará um barco saindo do Porto Ceasa e navegará por algumas horas entre rios e afluentes. A viagem já começa nesse percurso, passando pelo encontro das águas. Apesar de demorado e muito quente, você não sente aquela necessidade de chegar ao destino final, sabe? É tudo tão lindo! Quando se chega no hotel de selva, começa a programação com idas ao rio, nadar, pescar, observar, ouvir e sentir!

Musa – Museu da Amazônia

Musa – Museu da Amazônia (Foto: Flymaniacs)
Musa – Museu da Amazônia (Foto: Flymaniacs)

Esse museu não pode ficar de fora do seu roteiro. O Musa é um museu a céu aberto, praticamente um jardim botânico. Ele fica bem na divisa da cidade com a floresta, o que o torna ainda mais interessante. Entre trilhas (bem tranquilas), exposições, borboletário e muitas árvores, a principal atração é uma torre de observação com mais de 40 metros em que você pode observar do alto essa divisão da parte urbana e da floresta.

São quase 250 degraus para subir, mas o mais difícil mesmo é vencer o calor de Manaus. O bom é que até o alto existem duas plataformas, que você pode parar para descansar e observar a floresta em diferentes níveis.

Teatro Amazonas

Teatro Amazonas (Foto: Flymaniacs)
Teatro Amazonas (Foto: Flymaniacs)

Um dos símbolos da cidade, o teatro é imponente e fica localizado bem no centro. Trata-se de um dos mais antigos do país e tem longa tradição em espetáculos e orquestras. Dizem que quando o tenor Pavarotti se apresentou por lá, elogiou a acústica do lugar como a melhor que ele já havia visto. Se não der para assistir a um concerto, vale a pena fazer a visita guiada. O tour é rápido, mas contempla a história e bastidores do teatro.

Presidente Figueiredo

Presidente Figueiredo (Foto: Flymaniacs)
Presidente Figueiredo (Foto: Flymaniacs)

Essa cidade fica a pouco mais de 1 hora e 20 minutos de Manaus. Ela já se tornou a queridinha das pessoas que vão para o Amazonas, afinal são mais de 100 cachoeiras para conhecer. E uma mais linda que a outra! Infelizmente passamos apenas 1 dia por lá, mas vale a pena ficar mais tempo e até dormir na cidade, pois existem várias pousadas, inclusive dentro das áreas das cachoeiras.

Paga-se para entrar em cada uma, normalmente o valor é R$ 10 por pessoa. Nós conhecemos a do Santuário, que é uma das mais famosas e recomendamos muito. Como era Carnaval, estava um pouco cheia, mas conseguimos curtir o final do dia com ela praticamente só para nós. Uma dica, assim que chegar, já faça a reserva do seu almoço. O serviço por lá é um pouco demorado e isso fará você economizar um tempo precioso!

Para quem gosta de fazer trilhas e conhecer várias cachoeiras, pode também contratar uma agência com guia. A Iguana Turismo faz esse passeio. Ou então você pode ir até o CAT (Centro de Atendimento ao Turista) de Presidente Figueiredo e contratar um guia por lá.

Encontro das Águas

Encontro das águas (Foto: Flymaniacs)
Encontro das águas (Foto: Flymaniacs)

Esse é um passeio bem tradicional para quem visita Manaus: ver o encontro do Rio Negro e Solimões. Nós fizemos esse passeio junto com a ida até a Floresta Amazônica, com a Iguana Tour. Mas se você não for fazer o tour, pode pegar esse passeio a parte.

De um lado um rio negro, de outro um claro, barrento. São 6 quilômetros lado a lado e eles simplesmente não se misturam. Esse fenômeno acontece por conta de 4 fatores: velocidade, intensidade, acidez e temperatura (o Rio Negro costuma ter 28ºC, enquanto o Solimões tem 23ºC).

Praia de Ponta Negra

Manaus tem várias praias e a mais conhecida de todas é a Ponta Negra. Sinceramente, não fomos por falta de tempo. Preferimos cair de cabeça na floresta, cachoeiras e outros rios. Mas está aí a dica para quem ficar muito tempo por lá.

Arquipélago de Anavilhanas

Esse é um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo e é formado por cerca de 400 ilhotas. Infelizmente não conseguimos conhecer, mas ele foi muito recomendado por outras pessoas. Existem muitas empresas em Manaus que oferecem esse passeio, que dura o dia todo.

Mercado Municipal Adolfo Lisboa

Mercado Municipal Adolfo Lisboa (Foto: Flymaniacs)
Mercado Municipal Adolfo Lisboa (Foto: Flymaniacs)

Ir para a Manaus e não conhecer as peculiaridades do mercado local é um pecado. Reserve uma manhã para passear entre as lojinhas de artesanato indígena e culinária nortista. Não há muita variedade, pois as lojas vendem praticamente os mesmos artigos, mas é um passeio interessante e um ótimo lugar para achar uma lembrancinha da viagem.

Flutuantes

A caminho do flutuante (Foto: Flymaniacs)
A caminho do flutuante (Foto: Flymaniacs)

Como já falamos na parte “Onde comer”, existem vários pela cidade de Manaus. Os mais conhecidos são Peixe Boi, Abaré, Salomé e Sun Paradise.

| Nosso roteiro de 5 dias

Dia 1 e 2: Floresta Amazônica

Dia 3: Musa e Flutuante

Dia 4: Presidente Figueiredo

Dia 5: Mercado Municipal, Teatro Amazonas e volta para SP

Veja mais fotos do Amazonas:

10 Comentários

  1. Sou tão apaixonada por Manaus, e ainda não conheci nada de lá. Eu adorei principalmente que vocês falaram sobre a época mais quente e o que levar. Gostei muito de conhecer o Musa, que eu não sabia da existência! Parabéns, já salvei aqui as dicas todas.

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